
Cartas Não Enviadas
Part 1 — Carta Não Enviada: Perdoe-me, Mãe
Louay escreveu a carta três vezes, e em cada vez a apagava antes de pressionar enviar. As palavras não eram difíceis, mas o pedido de desculpas pesava mais que seu orgulho.
"Perdoe-me, mãe, eu pensava que já era grande o suficiente para dispensar o seu medo por mim."
Leu a frase em voz baixa e sentiu algo apertar seu peito. Lembrou-se de cada chamada que encerrou rapidamente, de cada vez que a mãe dizia "cuide-se" e ele respondia com tédio, de cada visita que adiou por estar ocupado com coisas que agora pareciam triviais.
Quando a mãe entrou no hospital, ele descobriu que uma pessoa pode demorar muito para dizer as palavras mais simples. Sentou-se ao lado da cama dela, enquanto ela dormia, e abriu a carta novamente. Dessa vez não a apagou. Mas também não a enviou. Leu-a para ela em voz baixa.
Disse-lhe que tinha sido cruel e que errou ao pensar que o amor de mãe era algo garantido que não precisava de agradecimento. Disse que sentia falta da comida dela, de suas orações, de sua voz quando o chamava pelo nome completo quando ficava brava.
A mãe abriu os olhos devagar. Não tinha ouvido toda a carta, mas ouviu a última frase: "Sinto muito." Sorriu com dificuldade e disse: "A mãe perdoa antes de o filho pedir desculpas."
Louay chorou como não chorava desde a infância. No dia seguinte, quando a mãe saiu do hospital, ele não enviou a carta. Imprimiu-a e colocou-a em sua mão. Ela disse, enquanto a lia: "Deixe-a comigo, para que sempre que eu ficar brava com você eu me lembre dela."
Riram juntos. E aquela carta que não foi enviada foi o mais belo presente que chegou.
Part 2 — Carta de um Pai para sua Filha no Dia do Casamento
Massa não estava chorando enquanto vestia o vestido de noiva. Tentava parecer forte, como todos lhe pediam desde a morte do pai. Mas quando o irmão mais velho entrou no quarto e colocou um envelope branco em sua mão, ela tremeu.
Ele disse: "Papai escreveu isso para você antes de ficar muito doente. Disse para entregar no dia do seu casamento."
Massa abriu o envelope devagar. A letra do pai estava clara apesar dos anos: "Minha filha Massa, sei que talvez não segure sua mão neste dia, mas quero que saiba que meu coração está com você."
Sentou-se na cadeira e começou a ler. Ele escreveu que estava orgulhoso dela e que não tinha medo da vida para ela, porque ela carregava um coração bondoso e uma mente que sabia o caminho. Recomendou que não deixasse o amor apagá-la e que não deixasse o medo impedi-la de ser feliz.
Depois escreveu: "Se chorar hoje, não chore porque estou ausente. Chore um pouco porque nos amamos o suficiente para que a ausência doa."
Massa não conseguiu continuar sem lágrimas. A mãe entrou e a abraçou. Ninguém disse: não chore. O choro naquele momento fazia parte da alegria.
Quando saiu para a sala, segurava a carta sob o buquê de flores. O pai não caminhava ao seu lado, mas ela o sentiu em cada passo. E quando chegou ao noivo, sussurrou para si mesma: "Não começo uma vida sem ele, eu o levo comigo."
No final da festa, colocou a carta em uma caixinha pequena. Sabia que a leria sempre que precisasse ouvir a voz do pai novamente.





