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Um Casamento Silencioso

Um Casamento Silencioso

3,710 words 17 min read 449 reads Jun 27, 2026 4 Parts
Uma história real sobre um lar habitado pelo silêncio, onde o interesse entrou pela porta errada.

Part 1 — Um Casamento Silencioso | História de Fidaa e Nour – Parte Um

Fidaa estava sentada junto à janela, observando a rua em silêncio. Não esperava ninguém, mas sentia que algo dela tinha ficado para trás e não chegara.

No outro quarto, Nour estava sentado na beira da cama, com o telemóvel na mão e o rosto cansado como sempre. Tinha vinte e três anos, mas agia como se carregasse um peso muito maior.

Fidaa disse baixinho:
“Nour… podemos conversar um pouco?”

Ele não tirou os olhos do telemóvel.
“Amanhã, Fidaa, estou cansado.”

Ela sorriu com amargura.
“Todos os dias é amanhã.”

Nour suspirou e disse:
“Por que estás a exagerar? Eu estou aqui, a casa está aqui, o que te falta?”

Ela olhou para ele longamente.
Queria dizer: Falta-me tu.
Mas não disse.

Entrou na cozinha, abriu o telemóvel e escreveu um breve estado:

“Às vezes uma pessoa está casada… mas sozinha.”

Minutos depois, recebeu uma resposta de uma conta que não conhecia bem.
Chamava-se Mahab.

“O que vejo nos teus olhos não é cansaço… é dor.”

Fidaa parou na mensagem.
Ele tinha apenas dezoito anos, mas por um instante sentiu que ele compreendia o que o marido não compreendia.

E a partir daquela mensagem, abriu-se a porta que não deveria ter sido aberta.

**Fim da Parte Um.**
**Será que aquela mensagem foi apenas coincidência… ou o início de algo que mudará a vida de Fidaa para sempre?**
**Aguarda a Parte Dois em breve.**

Part 2 — Um Casamento Silencioso | História de Fidaa e Nour – Parte Dois

Fidaa estava na cozinha com o telemóvel nas mãos, lendo a mensagem de Mahab pela segunda… e depois pela terceira vez.

“O que vejo nos teus olhos não é cansaço… é dor.”

A frase não era longa, mas tocou num lugar profundo dentro dela. Um lugar que Nour não se aproximava há muito tempo.

Ela fechou o telemóvel rapidamente, como se tivesse medo que alguém ouvisse o som do seu coração. Olhou para o quarto: Nour continuava no mesmo lugar, absorto no telemóvel, como se nada tivesse acontecido.

Aproximou-se dele devagar e sentou-se na beira da cama.

Disse:
“Nour…”

Ele respondeu sem olhar:
“Sim?”

Ficou em silêncio um momento, depois perguntou:
“Tu amas-me?”

Ele finalmente levantou os olhos, como se surpreendido com a pergunta.
“Que pergunta é essa? Claro que sim.”

Ela sorriu um pequeno sorriso que não chegou aos olhos.
“Então por que não sinto?”

Nour suspirou irritado e colocou o telemóvel de lado.
“Fidaa, estou cansado o dia todo. Trabalho, responsabilidades, despesas… temos de abrir o mesmo assunto todas as noites?”

Ela olhou para ele em silêncio.
Não queria dinheiro, nem casa, nem uma resposta fria.
Queria que ele sentisse que ela estava a murchar diante dele.

Disse calmamente:
“Eu não sou um assunto, Nour… sou tua mulher.”

Ele não respondeu.

E aquele silêncio foi mais cruel que qualquer resposta.

Fidaa levantou-se e entrou na casa de banho. Fechou a porta e encostou as costas nela. Tentou conter as lágrimas, mas falhou.

Nesse momento, o telemóvel iluminou-se novamente.

Mensagem de Mahab:

“Desculpa se te incomodei… mas senti que estás magoada.”

Fidaa hesitou muito.
Sabia que responder era errado.
E sabia que o silêncio era o certo.
Mas a dor às vezes não procura o certo, procura apenas alguém que a ouça.

Escreveu:
“Por que dizes isso? Tu nem me conheces.”

A resposta veio rápido:
“Talvez não te conheça… mas reconheço o rosto de quem está sozinho mesmo rodeado de gente.”

Fidaa parou na frase.

Como alguém que não a conhece consegue descrever a sua situação com tanta precisão?
E como o marido, que vive com ela sob o mesmo teto, não vê nada?

Apagou a mensagem.
Depois leu-a de novo.
Depois fechou o telemóvel.

A noite passou pesada.
Nour adormeceu depressa, enquanto Fidaa ficou acordada a olhar para o teto. Sempre que tentava dormir, a frase voltava:

“Mesmo rodeado de gente.”

De manhã, Nour acordou cedo. Vestiu-se, pegou nas chaves e preparou-se para sair.

Fidaa disse:
“Não queres tomar o pequeno-almoço?”

Ele respondeu enquanto abria a porta:
“Estou atrasado. Deixo para outra vez.”

Antes de sair, parou um instante e disse:
“E não te esqueças de pagar a conta da eletricidade se saíres.”

Depois fechou a porta.

Fidaa ficou no meio da casa.
Deu uma curta risada de dor.
Mesmo quando tentava ser esposa, ele via-a apenas como alguém que se lembra das contas.

Sentou-se junto à janela novamente. O mesmo lugar. O mesmo silêncio. A mesma sensação de viver uma vida que não lhe pertence.

Pegou no telemóvel e encontrou uma nova mensagem de Mahab:

“Bom dia… espero que o teu dia seja mais leve que o de ontem.”

Não respondeu imediatamente.
Disse a si mesma: Não.
Este caminho está errado.
Esta atenção é perigosa.

Mas minutos depois escreveu:
“Bom dia.”

Foram apenas duas palavras.
Mas sentiu como se tivesse aberto uma pequena porta por onde entrava ar que não conhecia há muito tempo.

A conversa começou simples.
Uma pergunta sobre o dia.
Uma palavra passageira.
Uma piada leve.
Depois tornou-se, pouco a pouco, um hábito.

Mahab não pedia muito.
Estava apenas presente.

Perguntava-lhe:
“Já comeste?”
“Estás triste?”
“Por que estás calada?”
“Queres falar?”

Perguntas pequenas… mas para Fidaa eram muito grandes.

À noite Nour voltou para casa.
Estava cansado como sempre, silencioso como sempre, distante como sempre.

Fidaa, tentando parecer natural, perguntou:
“Como foi o teu dia?”

Ele respondeu:
“Normal.”

Depois pegou no telemóvel e sentou-se.

Ela olhou para ele, depois para o telemóvel ao seu lado.
Havia uma mensagem de Mahab que ainda não tinha aberto.

Sentiu culpa.
E sentiu necessidade.
E essa era a mistura mais perigosa que uma pessoa podia viver.

Abriu a mensagem.

Mahab escreveu:
“Há pessoas que estão perto de ti… mas não te sentem. E há pessoas longe… que sentem a tua dor numa única palavra.”

Os dedos de Fidaa tremeram.

Não sabia o que responder.
Mas o coração respondeu antes dela.

Nesse momento, Nour entrou de repente no quarto.

Perguntou friamente:
“Com quem estás a falar?”

Fidaa congelou.

Olhou para ele, depois para o telemóvel, e disse rapidamente:
“Com ninguém… só estava a ver o telemóvel.”

Nour deu um passo.
“Então por que ficaste nervosa?”

Fidaa sentiu que o ar desaparecia do quarto.

Fechou o ecrã com a mão a tremer e tentou sorrir.
“Não estou nervosa.”

Ele olhou para ela longamente.
Pela primeira vez em muito tempo, sentiu que algo tinha mudado.

Mas não disse nada.
Virou-se e saiu do quarto.

Fidaa ficou sentada, percebendo que a porta que se abriu com uma palavra… talvez não se feche facilmente.

**Fim da Parte Dois.**
**Será que Nour vai descobrir o segredo das mensagens? Ou Fidaa vai recuar antes que a atenção se torne um pecado inesquecível?**
**Aguarda a Parte Três em breve.**

Part 3 — Um Casamento Silencioso | História de Fidaa e Nour – Parte Três

Fidaa não dormiu essa noite.

Nour estava no mesmo quarto, muito perto dela… mas parecia mais distante que nunca.
O telemóvel dela estava na mesa ao lado da cama, silencioso mas pesado, como se escondesse um segredo que todos conheciam.

Tentou convencer-se de que era simples.
Apenas mensagens.
Palavras passageiras.
Apenas atenção.

Mas o coração sabia que um começo errado não permanece inocente por muito tempo.

De manhã, Fidaa acordou com o som de Nour a mexer no quarto. Ele procurava algo nas gavetas, depois parou de repente e olhou para ela.

Disse com uma calma estranha:
“Fidaa… há algo diferente em ti.”

Ela ficou atrapalhada, mas tentou parecer natural.
“Diferente como?”

Ele aproximou-se da mesa, olhou para o telemóvel dela um instante e disse:
“Não sei… mas sinto que não estás comigo.”

Ela deu um sorriso fraco.
“Estou sempre aqui, Nour.”

Ele respondeu rápido:
“Não me refiro ao teu corpo.”

Fidaa calou-se.
Era a primeira vez em muito tempo que Nour dizia algo que parecia sentimento.

Mas em vez de se alegrar, sentiu medo.

Porque sabia que o sentimento dele chegava tarde… depois de o coração dela começar a ouvir outra voz.

Nour saiu de casa sem se despedir como de costume, mas ela reparou que desta vez ele não fechou a porta logo. Ficou parado um momento fora do apartamento, como se esperasse que ela o chamasse.

Ela não o chamou.

Fechou a porta devagar e encostou a cabeça nela.

Disse a si mesma:
“Tenho de parar.”

Pegou no telemóvel, abriu a conversa com Mahab e escreveu:

“Mahab, não podemos mais falar.”

Ficou a olhar para a frase muito tempo.
O dedo por cima do botão de enviar.
Sabia que aquela frase podia salvá-la.

Mas antes de carregar, chegou uma mensagem dele:

“Ontem senti-te assustada. Aconteceu alguma coisa?”

Fidaa apagou a própria frase rapidamente, como se tivesse vergonha da decisão.

Escreveu:
“Não… mas Nour perguntou-me com quem estava a falar.”

Mahab respondeu imediatamente:
“E o que disseste?”

“Disse que com ninguém.”

Mahab demorou um pouco a responder.
Depois escreveu:

“Então eu sou ninguém?”

Fidaa congelou diante do ecrã.

Não esperava que a frase o magoasse.
Nem esperava importar-se por o ter magoado.

Escreveu:
“Não era isso que queria dizer.”

A resposta dele foi mais dura desta vez:
“Eu sei que é errado falar contigo… e sei que estás casada… mas não consigo sentir que sou apenas tempo livre.”

Fidaa fechou os olhos.
Mahab era jovem, mas não era estúpido.
Sentia que ela se aproximava quando a casa a magoava e se afastava quando tinha medo da verdade.

Escreveu:
“Tu não és tempo livre.”

Parou depois da frase.

Leu-a uma vez.
Depois outra.

Era uma frase curta, mas era mais perigosa que tudo o que tinham dito até então.

No mesmo instante, o telemóvel tocou.

Era uma chamada de Nour.

Sentiu o coração cair.

Atendeu com a voz atrapalhada:
“Alô?”

Nour disse:
“Fidaa, esqueci a carteira em casa. Vou buscá-la.”

Fidaa olhou à volta rapidamente.
A conversa estava aberta.
O telemóvel na mão.
E o nervosismo no rosto não podia ser escondido.

Disse rapidamente:
“Está bem.”

Desligou e apagou a última mensagem.
Mas não apagou toda a conversa.

Não soube porquê.

Minutos depois, Nour abriu a porta. Entrou com uma calma pouco habitual. Não estava apressado como tinha dito. Entrou no quarto, pegou na carteira em cima da mesa e olhou para Fidaa.

Ela estava junto à janela, segurando o telemóvel.

Ele disse:
“Estavas a falar com alguém?”

Ela ficou atrapalhada.
“Não estava a falar com ninguém.”

Ele deu um passo.
“Sempre que entro estás com o telemóvel na mão… e sempre que pergunto ficas nervosa.”

Ela tentou rir.
“Nour, estás a exagerar.”

Ele olhou para ela longamente.
“Talvez. E talvez pela primeira vez eu esteja a ver a coisa certa.”

Fidaa não soube o que dizer.

Nour estendeu a mão e disse:
“Dá-me o telemóvel.”

O rosto dela mudou imediatamente.

Não havia gritos entre eles.
Mas o quarto encheu-se de medo.

Ela disse baixinho:
“Porquê?”

Ele respondeu:
“Porque te perguntei mais de uma vez… e tu foges sempre.”

Fidaa apertou o telemóvel contra o peito.
Aquele gesto foi uma confissão.

Nour olhou para a mão dela, depois para os olhos dela.

Disse com uma calma dolorosa:
“Fidaa… há alguém?”

Ela não respondeu.

Ele aproximou-se mais, mas desta vez não estava zangado. Estava magoado.

“Conta-me a verdade… mesmo que doa.”

Os olhos de Fidaa baixaram para o chão.
Todas as palavras desapareceram.
Não encontrou uma mentira que a salvasse, nem coragem para confessar.

Nesse momento, o telemóvel na mão dela iluminou-se com uma nova mensagem.

O nome apareceu claramente no ecrã:

Mahab

E por baixo estava a mensagem:

“Fidaa… preciso de te ver hoje.”

O tempo parou.

Nour leu o nome.
Leu a mensagem.
Depois levantou os olhos para ela.

Não gritou.
Não partiu nada.
Apenas sorriu um sorriso magoado e disse:

“Assim?”

Fidaa sentiu que a casa inteira desabava sobre ela.

Tentou falar:
“Nour… ouve-me…”

Ele interrompeu-a baixinho:
“Há quanto tempo falam?”

Ela não respondeu.

Perguntou de novo, desta vez com a voz mais pesada:
“Há quanto tempo?”

Ela disse com dificuldade:
“Não é como estás a pensar…”

Nour riu com amargura.
“Essa frase aparece sempre quando o pensamento está certo.”

Fidaa sentou-se na beira da cama e as lágrimas começaram a cair.
“Eu estava sozinha, Nour… tentei falar contigo e tu não me ouvias.”

Ele aproximou-se, os olhos cheios de raiva e dor.

“Estavas sozinha? E eu o que era? Um estranho?”

Ela disse:
“Tu estavas presente… mas não para mim.”

Nour calou-se.

A frase era dura, mas atingiu-o num lugar que ele conhecia bem.
Ele realmente estava distante.
Fugia das conversas, dos sentimentos, de tudo o que precisava de calor.

Mas isso não tornava o que ele viu mais fácil.

Disse devagar:
“O meu descuido não abre porta para ninguém entrar entre nós.”

Fidaa começou a chorar.
“Eu sei.”

Nour respirou fundo e disse:
“Responde-lhe.”

Fidaa levantou a cabeça assustada.
“O quê?”

Ele disse:
“Responde-lhe. Diz-lhe que vais encontrá-lo.”

Ela congelou.

“Nour, não…”

Ele interrompeu:
“Quero saber até onde chegaste.”

Fidaa olhou para o telemóvel, a mão a tremer.
Sentia que cada toque no ecrã a levaria a um ponto sem retorno.

Nour ficou à frente dela à espera.
Não queria apenas a verdade.
Queria ver se a mulher ainda o escolhia… ou se o coração dela já tinha partido há muito tempo.

Fidaa abriu a conversa.

Escreveu devagar:

“Onde queres que nos encontremos?”

A resposta chegou segundos depois:

“No mesmo lugar de que te falei… às sete.”

Nour leu a mensagem, depois pegou nas chaves em cima da mesa.

Fidaa perguntou assustada:
“Para onde vais?”

Ele olhou para ela sem pestanejar.

“Para o mesmo lugar.”

Depois saiu e deixou a porta aberta atrás de si.

Fidaa ficou no meio da casa, com o telemóvel na mão e a mensagem diante dos olhos.

Pela primeira vez, compreendeu que a atenção que pensou ser salvação… podia ser a razão de perder tudo.

**Fim da Parte Três.**
**Será que Nour vai confrontar Mahab? E Fidaa vai alcançá-lo antes que a desconfiança se transforme em escândalo?**
**Aguarda a Parte Quatro em breve.**

Part 4 — Um Casamento Silencioso | História de Fidaa e Nour – Parte Quatro

Fidaa não soube como saiu de casa.

Os pés moviam-se depressa e o coração ia à frente dela para o lugar onde Nour tinha ido. Não pensava na aparência, nem na porta que ele deixou aberta, nem no telemóvel que ficou na mão como uma pequena prova de uma grande ruína.

Tudo em que pensava era numa única frase:

“Para o mesmo lugar.”

Nour não era homem de muitas palavras, mas ela soube pelo tom que algo dentro dele se tinha partido. Não ia apenas perguntar. Ia confrontar tudo o que ela tentara fugir.

Ligou-lhe uma vez.
Ele não atendeu.

Ligou uma segunda vez.
Ele desligou.

Sentiu o ar apertar à sua volta.

Escreveu-lhe uma mensagem depressa:

“Nour, por favor espera por mim. Não vás sozinho.”

Não apareceu marca de leitura.

Do outro lado da cidade, Mahab estava junto à entrada de um café tranquilo, a observar a rua com nervosismo. Não sabia que Nour vinha. Pensava que Fidaa viria sozinha e que talvez finalmente lhe dissesse a verdade que ele esperava.

Tinha o telemóvel na mão, abrindo e fechando a conversa a cada minuto.

Escreveu-lhe:

“Chegaste?”

Ela não respondeu.

Escreveu de novo:

“Fidaa, estou à tua espera.”

Depois levantou os olhos e viu um homem aproximar-se com passos lentos.

Era Nour.

Mahab parou no lugar. Não precisou de perguntar quem era. Os traços do rosto, o olhar, a forma de calar… tudo dizia a verdade.

Nour aproximou-se até ficar exatamente à frente dele.

Disse calmamente:
“Tu és Mahab?”

Mahab engoliu em seco e disse:
“Sim.”

Nour olhou para ele longamente. Esperava um rapaz diferente, mais forte, mais perigoso, mais velho. Mas encontrou à frente um rapaz jovem, a idade ainda visível nos olhos, um rapaz que não parecia um inimigo completo… mas era suficiente para abalar a sua casa.

Nour disse:
“Sabes quem eu sou?”

Mahab baixou os olhos um instante, depois levantou-os.
“O marido de Fidaa.”

Nour deu um breve sorriso magoado.
“Então sabias.”

Mahab calou-se.

Nour disse com voz mais pesada:
“Sabias que ela era casada e mesmo assim continuaste?”

Mahab tentou parecer firme, mas estava atrapalhado.
“Eu não queria destruir uma casa.”

Nour deu um passo.
“Mas entraste nela.”

Mahab respondeu depressa:
“Eu não entrei pela porta sozinho. Ela estava magoada.”

O rosto de Nour mudou.
A frase foi como uma flecha. Não porque fosse mentira, mas porque carregava parte da verdade que ele temia reconhecer.

Nour disse:
“A dor dela era entre mim e ela. Não entre ti e ela.”

Mahab disse baixinho:
“Mas ela falava comigo porque não te encontrava.”

Caiu um silêncio pesado.

Nour não gritou. Não levantou a mão. Não fez nada do que Mahab imaginava. Apenas ficou à frente dele, a olhar com olhos cheios de raiva e desilusão.

Nour disse:
“Tens dezoito anos. Talvez não compreendas o que significa uma casa, o que significa uma esposa, o que significa confiança quando se parte.”

Mahab respondeu, a voz já a tremer:
“Talvez seja novo… mas compreendo o que significa uma pessoa falar e ninguém a ouvir.”

Nesse momento chegou Fidaa.

Parou a alguns passos deles, ofegante de medo. Viu Nour à frente de Mahab e Mahab a tentar esconder o nervosismo, e compreendeu que o momento que tentara fugir tinha chegado.

Disse com a voz partida:
“Nour…”

Nour virou-se devagar.

Não havia apenas raiva nos olhos dele. Havia algo mais difícil: desilusão.

Disse:
“Por que vieste?”

Fidaa deu um passo.
“Porque não quero que o assunto cresça.”

Nour riu com amargura.
“O assunto cresceu desde a primeira mensagem que escondeste.”

Os olhos de Fidaa baixaram para o chão.

Mahab disse calmamente:
“Fidaa, eu não queria…”

Nour interrompeu-o depressa:
“Tu cala-te.”

Mahab ficou atrapalhado, mas Fidaa levantou a mão e disse:
“Não, Nour. Deixa-me falar eu.”

Ele olhou para ela, à espera.

Fidaa respirou fundo.
Sabia que qualquer mentira agora partiria o que restava.

Disse:
“Eu errei. Desde a primeira resposta, desde a primeira mensagem, desde a primeira vez que senti que a atenção dele compensava a tua ausência.”

O rosto de Nour congelou.

Ela continuou com a voz a tremer:
“Mas juro que não passou de palavras. Eu sei que palavras sozinhas são traição quando escondidas, e sei que quebrei a tua confiança.”

Nour não respondeu.

Ela disse enquanto limpava as lágrimas:
“Eu tentava dizer-te que estava sozinha. Todas as vezes dizias amanhã. Todas as vezes fazias-me sentir que pedia demasiado. E eu fraquejei… em vez de gritar contigo, falei com outra pessoa.”

Nour olhou para ela e disse:
“Então a culpa é minha?”

Ela abanou a cabeça depressa.
“Não. Tu falhaste, mas fui eu que abri a porta. E fui eu que errei.”

Era a primeira vez que o dizia com clareza.

Mahab olhou para ela como se não esperasse que ela confessasse assim. Pensava que ela o defenderia, ou o escolheria, ou pelo menos o colocaria num lugar diferente.

Mas Fidaa não olhou para ele.

Estava a olhar apenas para Nour.

Mahab disse baixinho:
“Fidaa… e nós?”

Ela finalmente se virou para ele.

Os olhos estavam cheios de lágrimas, mas estavam mais claros que antes.

Disse:
“Não há nós, Mahab.”

Mahab calou-se.

A frase caiu sobre ele com dureza.
Todas as mensagens, toda a atenção, todas as noites em que se sentiu importante… terminaram com uma única palavra.

Disse:
“Então eu era o quê?”

Fidaa fechou os olhos.
“Foste um erro. E um erro que magoou todos nós.”

Mahab olhou para Nour, depois para Fidaa, e sentiu pela primeira vez que a história em que entrara era muito maior que a sua idade.

Disse com a voz partida:
“Eu gostei de ti.”

Fidaa respondeu com uma calma dolorosa:
“Talvez tenhas-te apegado à imagem de uma mulher magoada… não à minha vida real.”

Nour ficou em silêncio.
A vitória não era fácil. Não sentia que tinha ganho nada. Estava entre a esposa que confessou e um rapaz jovem que violou os limites da sua casa, e o coração não sabia se devia ficar mais zangado ou desabar.

Nour disse finalmente:
“Apaga o número dele.”

Fidaa olhou para o telemóvel.

Desta vez não hesitou.

Abriu a conversa, apagou-a e bloqueou o número diante dos olhos dele.

Mahab viu isso e virou o rosto.
Foi mais cruel que qualquer confronto.

Nour disse:
“Não é por mim. É por ti. Se queres voltar a ti mesma, o primeiro erro tem de ser fechado.”

Depois virou-se e saiu.

Fidaa correu atrás dele.
“Nour… espera.”

Ele não parou.

Ela disse mais alto:
“Eu quero consertar.”

Nour parou, mas não se virou.

Disse:
“Consertar o quê, Fidaa? Quando a confiança se parte não deixa som… deixa apenas vazio.”

Ela aproximou-se devagar.
“Eu sei. Mas deixa-me tentar.”

Ele finalmente se virou.
O rosto estava calmo, mas os olhos diziam tudo o que não conseguia dizer.

“Não sei se consigo ver-te como antes.”

Fidaa chorou em silêncio.

Disse:
“Até eu não consigo ver-me como antes.”

Mahab ficou no lugar, a observar os dois de longe. E pela primeira vez sentiu que não era o herói de uma história de amor, mas uma página dolorosa na história de uma casa que desabava em silêncio.

Nour voltou ao carro sem abrir a porta para Fidaa como antigamente.

Fidaa ficou ao lado dele, à espera de uma palavra.

Nour disse sem olhar:
“Volta para casa. Sozinha.”

A voz dela tremeu:
“E tu?”

Ele disse:
“Preciso ficar um pouco longe… antes de decidir se consigo voltar.”

Depois entrou no carro e partiu.

Fidaa ficou no passeio, com o telemóvel na mão e a noite longa e fria à sua volta.

Nesse momento chegou uma mensagem de um número desconhecido.

Abriu-a com a mão a tremer.

Era de Mahab:

“Desculpa… mas para mim a história não acabou.”

Fidaa levantou a cabeça assustada.

E num lugar distante, Nour conduzia em silêncio, sem saber que a porta que pensou ter fechado… talvez ainda não estivesse fechada.

**Fim da Parte Quatro.**
**Será que Mahab vai realmente afastar-se? E Nour vai dar a Fidaa uma última oportunidade… ou a nova mensagem vai reacender tudo de novo?**
**Aguarda a Parte Cinco em breve.**

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