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Toda quinta-feira eu mentia para ele – Parte 8: O silêncio após a tempestade

Toda quinta-feira eu mentia para ele – Parte 8: O silêncio após a tempestade

908 words 5 min read 229 reads Oct 8, 2026 هالة
Depois que Hala decidiu se afastar, Samer e Karim voltaram ao antigo apartamento, mas desta vez não havia mais mentiras. Havia uma necessidade urgente de compartilhar a verdade física e espiritual, numa noite em que ninguém mais tinha o direito ao silêncio.
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O sol despencava lentamente sobre o horizonte, deixando longas sombras que se entrelaçavam com o silêncio do apartamento antigo para o qual Samer e Karim retornaram, após Hala ter deixado a porta aberta atrás de si. Não houve gritos, nem choro, nem mesmo o som de passos de uma cadeira de rodas. Havia apenas aquele silêncio aterrorizante que preenche o lugar quando todas as paredes construídas sobre mentiras desmoronam. Hala não voltara. Ela partira, deixando para trás destroços de desculpas e verdades cruéis que Rana e Karim revelaram em suas últimas mensagens.

Samer sentou-se no sofá de couro gasto, a cabeça entre as mãos, ouvindo o eco da voz de Rana em seus ouvidos: «Você não estava quebrada. Você estava brincando.» Palavras que rasgavam sua alma, revelando que tudo o que vivera de engano não fora mera aleatoriedade, mas um jogo meticulosamente planejado. Já Karim estava sentado no chão, segurando uma garrafa de vinho aberta, olhando para Samer com olhos serenos, sem qualquer vestígio de culpa, mas com algo diferente: certeza.

«O jogo acabou, Samer», disse Karim em voz baixa, mas clara como a chuva no deserto. «Rana acabou, Hala partiu. Ninguém mais tem direito ao silêncio. Estamos sozinhos aqui, neste apartamento que foi palco de cada mentira, de cada artimanha.»

Samer olhou para ele, os olhos vermelhos de cansaço e lágrimas que não caíram. «O que você quer fazer?», perguntou com voz trêmula.

"Quero fechar este capítulo", respondeu Karim, levantando-se lentamente e dirigindo-se a Samer. "Quero que expulsemos tudo o que há dentro de nós, tudo o que reprimimos, tudo o que escondemos de Hala e de nós mesmos. Sem mentiras. Sem enganos. Apenas a verdade. A verdade física e espiritual."

Não houve hesitação. Não houve medo. Havia um senso de necessidade urgente, como se ambos estivessem esperando por este momento desde o dia em que nasceram. Karim aproximou-se de Samer, colocou a mão em seu ombro e depois em seu rosto, limpando as lágrimas que não eram de tristeza, mas de profunda frustração. "Somos adultos, Samer. Sabemos o que queremos. Não precisamos mais interpretar papéis."

Karem beijou Samer nos lábios, não como um amante, mas como alguém que busca a verdade no corpo de outro. O beijo foi áspero, repleto de sentimentos reprimidos, de gritos que nunca foram ouvidos, de dor que nunca foi curada. Samer começou a responder, retribuiu o beijo com a mesma intensidade, como se tentasse absorver toda a raiva e o ressentimento que guardava dentro de si. Karem tirou a camisa, depois Samer, e revelaram seus corpos, que carregavam as marcas de anos de mentiras e medo.

"Eu quero você", sussurrou Karem, enquanto sua mão deslizava pelo corpo de Samer, tocando cada parte dele, como se tentasse explorar uma nova terra. "Quero ver quem você é realmente, longe de Hala, longe de Rana, longe de todas essas mentiras."

"Eu também", respondeu Samer, com a voz trêmula. "Quero sentir liberdade. Quero sentir que estou vivo, e não apenas uma boneca no jogo dos outros."

Os dois começaram a praticar o ato sexual, não como amantes fazendo amor, mas como dois homens tentando reconstruir suas identidades através do corpo. O movimento era rápido, forte, repleto de emoções reprimidas. Não havia vergonha, nem hesitação. Havia um reconhecimento verbal contínuo, palavras ditas a cada momento, a cada movimento, a cada toque.

"Eu odeio a mentira", disse Karim enquanto segurava a cintura de Samer, apertando-a com força. "Eu odeio fazer parte de um jogo."

"Eu odeio ser um traidor", respondeu Samer, olhando para Karim com olhos cheios de lágrimas. "Eu odeio fazer parte de tudo isso."

"Mas agora", disse Karim, segurando o rosto de Samer, "nós somos reais. Somos livres."

A relação sexual era explícita, direta, repleta de emoção. Não era apenas um ato físico, mas uma confissão profunda; cada toque, cada beijo, cada movimento significava mais do que simples prazer. Significava liberdade, significava verdade, significava o fim.

Naquele momento, ouviram uma voz na porta. Era Hala. Ela não voltava para se casar, nem para retornar à vida antiga. Voltava para testemunhar o momento de verdade plena entre os dois homens. Ela entrou no quarto, olhando para eles com olhos serenos, sem qualquer traço de ciúmes, mas com algo diferente: compreensão.

— Eu sei — disse Hala com voz calma. — Eu sei que vocês não foram infiéis. Vocês estavam buscando a verdade.

Samer e Karim olharam para ela, depois um para o outro. Não havia medo, nem culpa. Havia apenas um sentimento de liberdade, a sensação de que, finalmente, eram verdadeiros.

"Eu fico", disse Hala, "porque sei que vocês não voltarão a mentir. E eu também não voltarei."

Naquele momento, a dinâmica do relacionamento mudou. Não se tratava mais de traição, mas de uma libertação sexual mútua. Samer, Karim e Hala faziam todos parte dessa nova verdade. Não havia mais mentiras, nem enganos. Havia apenas a realidade, com toda a sua dureza e beleza.

O final foi tranquilo, repleto de paz. Samer, Karim e Hala sabiam todos que o jogo não havia terminado, mas entrara numa nova fase. Uma fase em que ninguém detém o controle, mas todos são livres.

Naquela noite, Rana enviou uma mensagem a Hala: "O jogo não acabou. Entramos numa nova fase. Ninguém tem o controle."

Hala olhou para a mensagem, depois para Samer e Karim. Ela sorria, com um sorriso sereno, ciente de que tudo fazia parte de um plano, mas desta vez, era ela quem segurava os fios.

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